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4 out
2017

Você está criando crianças consumistas?

Precisamos ressaltar a importância do SER em meio a sociedade que valoriza o TER.

A vivência do excesso de consumo na infância traz sérios problemas para os pequenos! Abaixo enumero alguns deles:

  1. Ansiedade: necessidade de consumo imediato, o sentido de urgência em função de ter um desejo atendimento.
  2. Redução da criatividade: o excesso de coisas reduz as oportunidades da criança brincar com brinquedos simples que desafiariam a sua imaginação.
  3. Bulling: Aumenta a comparação entre uma criança e outra pelo que um ou outra tem.
  4. Sofrimento: imediatismo, a dificuldade em lidar com o não ou até mesmo ter que esperar o melhor momento para ganhar algo.

Essas são algumas consequências no emocional da criança. Importante falar, também, nos prejuízos relacionados a futura vida financeira dessa pessoa. Se ela não entender o limite relacionado ao consumo, assim como a diferença entre necessidade e desejo, poderá crescer desorganizada financeiramente, endividada e até mesmo compulsiva.

Acredito que devemos levar as crianças a refletirem sobre o consumo considerando 3 aspectos:

  • Ambiental: é importante mostrarmos a relação do consumo com o planeta, com o lixo, com o tanto de energia para produzir os bens industrializados e também a quantidade de água.
  • Financeiro: entender que os recursos são finitos. Que deve haver esforço para tê-los. Que as necessidades (moradia, educação, saúde e alimentação) devem ser atendidas primeiro. Que depois disso temos desejos, que esses, sim, também podem ser atendidos, mas que para isso devemos nos planejar e estabelecer metas para alcançar nossos objetivos e realizar esses sonhos.
  • Emocional: é nosso papel como pais mostrar a uma criança que muito mais importante que TER é o SER. Que os valores que carregamos e que é o que nos move em direção a realização do nosso propósito nessa vida são muito mais valiosos que qualquer riqueza material. Que as relações afetivas que estabelecemos com quem convivemos traz mais sentido as ações do dia a dia.

Hoje a oferta de produtos aumenta na velocidade da luz, e muitas vezes o consumo também. Por isso o que tenho a dizer é que a #Educação Financeira deve fazer parte do nosso dia a dia familiar e principalmente na relação com nossos filhos.

Somos responsáveis por essa formação. Isso também é qualidade de vida e saúde!

Eu tenho uma filha de 3 anos e uso as vivências para introduzir conceitos de Educação Financeira. Acredito que são como sementes que vamos plantando ao longo da vida e que com certeza frutificarão. Por exemplo: por muitas vezes ela nos acompanha nas compras de supermercado. Quando pede alguma coisa que não está na nossa lista, explico que o dinheiro que temos é para pagar as compras dos itens que precisamos para preparar as nossas refeições. E, que, em outro momento iremos separar o dinheiro para diversão e então compraremos guloseimas de final de semana. Aqui trabalho o conceito de necessidade e desejo.

A mesma coisa quando vamos ao parque ou praça e somos bombardeados por ofertas: picolé, pipoca, balão, brinquedinhos… e por aí vai. Criança quer tudo, né?! Mas nós sempre explicamos que o dinheiro é limitado e que precisamos escolher uma coisa naquele dia. Ela geralmente aceita bem e depois pergunta se na outra vez ela poderá escolher outra coisa. Aqui ela aprende que os recursos são finitos. Que temos que nos esforçar para obtê-los e que muitas vezes precisamos priorizar.

 E, assim, vamos caminhando conscientizando e plantando a semente da Educação Financeira.

Pensando nisso, separei 7 #dicas que podem ajudar na Educação Financeira das crianças:

  1. Controle o que seu filho assiste na TV: as crianças podem ser expostas a mídia ( não há como escapar), mas quem deve fazer esse caminho de filtro é a família que está ali para educar.
  2. Comece a educação financeira em casa: Já que a criança começa a desejar bens de consumo, nada melhor que começar a ensiná-la como o dinheiro funciona. Como se ganha dinheiro e o que são as despesas prioritárias da família. Fale na linguagem do seu filho, de acordo com sua idade! (lembre-se Educar é se fazer entender! J )
  3. Introduza a semanada (ou mesada/quinzenada)Se seu filho tem entre 7 e 9 anos comece a dar-lhe semanadas (A partir dos 10 anos, altere para mesada). Essa atitude contribui para introdução do conceito de planejamento financeiro.
  4. Ensine seu filho a colocar os sonhos e desejos no papelConverse com ele sobre os sonhos e desejos que possui. Ajude-o a escrevê-los e a calcular o prazo em que conseguirá realizá-los de acordo com a mesada/semanada que recebe. Aproveite a oportunidade para esclarecer a diferença entre “desejo” e “necessidade”.
  5. Insira a criança em algumas conversas financeiras simples da famíliaMostre a ela que sua participação é importante. Apresente um pouco do orçamento familiar e diga a ela que a renda serve para todos da família e que, assim como ela, as outras pessoas também têm seus objetivos individuais. Porém, aproveite a oportunidade para ressaltar objetivos coletivos, tais como viagem de férias, passeios, etc.
  6. Ajude seu filho a tomar decisões  Como todos nós, nem todos os desejos do seu filho serão possíveis de realizar com os seus recursos disponíveis. Ajude-o a pensar sobre a esfera de propósito. Qual desejo realizado vai lhe aproximar das coisas que ele mais gosta na vida?! As crianças têm dificuldades de tomar decisões e muitas vezes precisa de alguém que o ame para auxiliá-lo.
  7.  Dê o exemplo Sabe aquela história de: faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço… Então…, ela não cola com as crianças e adolescentes! Na maioria das vezes eles NÃO nos escutam…mas nos veem o tempo todo!! Então, antes de tentar passar conceitos de uma boa Educação Financeira, se necessário, mude seus hábitos financeiros e viva uma vida mais leve!

Por fim

O que escrevi aqui não tem a pretensão de desestimular ninguém a consumir. Pelo contrário. A questão é o consumo consciente, com propósito e alinhado a sua realidade financeira. Todos nós devemos consumir coisas que vão aumentar nosso bem-estar e trazer realizações. O que não devemos é restringir todo e qualquer momento de alegria a uma transação comercial!

Se você também utiliza suas experiências do dia a dia para introduzir conceitos de Educação Financeira na vida dos seus filhos… me conta! Eu adoro essas histórias.

Beijos e até a próxima! 😉

a autora

Karina Valadares

Mãe, esposa, profissional de finanças e empreendedora. Dedico minha vida à consultorias financeiras pessoais, assessoria de investimentos e organização de rotina.

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